Setor de fertilizantes em risco de desabastecimento em Santa Catarina

Responsável por 7% das importações do país, o Porto de São Francisco do Sul sofre com problemas estruturais.


Foto: Porto de São Francisco do Sul (Divulgação)

As limitações de infraestrutura para movimentação de fertilizantes e a demora na fila de espera para atracação no Porto de São Francisco do Sul, foram tema de uma reunião entre empresários e a administração do terminal no último dia 11 de junho.

O porto do norte catarinense cumpre um papel crucial na importação brasileira de fertilizantes. Em 2023, o complexo portuário recebeu cerca de 2,5 milhões de toneladas do adubo, o que representa 7% do total importado pelo país nesse período.

Empresários do setor, porém, afirmam que os números seriam ainda maiores, caso os problemas de infraestrutura fossem resolvidos pela administração e houvesse o tratamento isonômicos com outros modais na atracação dos navios com carga a granel do tipo fertilizante. Tudo isto reflete diretamente em filas para atracação que estão acima de 40 dias, elevando-se demasiadamente o custo com demurrage, que é o valor pago pela estadia do navio parado, e hoje tem um custo médio de 25 mil dólares por dia, representando neste momento com 25 navios um custo total de 12.000.000,00 de dólares (R$ 65.520.000.00).

As principais demandas são a reforma e ampliação do berço de atracação, para possibilitar o recebimento de embarcações com mais de 200 metros, e a redução do tempo de espera para atracação. Esta demora, como dito acima, tem causado prejuízos aos importadores e, por consequência, aos produtores, que pagam indenizações quando ocorrem atrasos nas operações portuárias com estadias, além de penalizações aos produtores que não recebem seus fertilizantes a tempo do plantio e colhem menos, por falta de nutrientes em seus plantios.

Os problemas estruturais e logísticos (demora nas atracações) no Porto de São Francisco do Sul causam preocupações aos produtores com o risco de desabastecimento em razão da demora dos fertilizantes chegarem nas lavouras.

O Sr. Gutierri Raupp, gerente de indústria da FECOAGRO expõe: “Tem um risco muito grande com o desabastecimento das indústrias aqui da região”, coloca ainda “Dentro do nosso setor aqui a gente gera cerca de 3 mil empregos. Então são empregos que ficam afetados com essa falta de fertilizantes com a demora da descarga da matéria prima no porto”.

A administração do porto reconhece os problemas reportados pelo setor e promete melhorias para breve. “O projeto de engenharia será concluído agora na semana que vem e no mês de julho vamos lançar a licitação para recuperação do berço 201”, disse Cleverton Vieira, presidente da Autoridade Portuária. “A gente destravou esse investimento e vai lançar o edital já no mês de julho para que a gente possa retomar a integralidade do uso do berço 201”, finalizou.

Com informações da NDMais.

Redação

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