Estamos no momento de flexibilizar o uso de máscaras?

No momento em que Europa e China vivem surtos de Covid-19, mesmo com altos índices de vacinação, o Brasil discute se deve ou não manter as máscaras.


Com o avanço da vacinação no Brasil, e consequentemente redução das hospitalizações e mortes por Covid-19, surge a discussão sobre a necessidade de se manter o uso de máscaras na população. Ao mesmo tempo, países da Europa registram aumento de casos da doença, ainda que com altos índices de vacinação, e a China tenta lidar com surtos em diversas regiões do país com o lockdown. O que está acontecendo no mundo? As vacinas não funcionam?

A resposta é: NÃO, não é porque as vacinas não funcionam. Isto se chama seleção natural.

Em fevereiro deste ano, o mundo conheceu a variante Delta, 97% mais transmissível do que a variante original de Wuhan. Estudos mostraram que a carga viral que um infectado com a variante Delta poderia ter era pelo menos 1000 vezes maior do que a do vírus original, e que a pessoa infectada passava a ser transmissível mais rápido, bem antes dos sintomas começarem. Por essa vantagem competitiva sobre qualquer outra variante do coronavírus, a Delta dominou todos os países onde ela foi detectada. E por todas essas razões, ela foi classificada como “variante de preocupação” pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

É verdade que a vacinação trouxe esperança em todo o mundo. Mas, já vacinadas, as pessoas parecem ter esquecido o conceito básico da seleção natural. A maioria dos países europeus, incluindo Reino Unido, Alemanha e Holanda já tem pelo menos 65% da população vacinada com as duas doses, mas mesmo assim, a Europa vive um dos maiores surtos de Covid-19 desde o início da pandemia. Acontece que a Delta continuou circulando, porque os países voltaram ao normal e relaxaram máscaras cedo demais.

No Reino Unido, foi detectada uma nova linhagem da variante Delta, que foi denominada AY.4, e dentro dessa nova linhagem de variantes da Delta, existe uma variante que pode se tornar uma variante de preocupação, a AY.4.2. Seria a “Delta Plus“. Em pouca semanas ela já chegou a representar mais de 10% dos casos registrados no Reino Unido. É uma subida muito expressiva, e ela já está presente em vários países da Europa. A OMS já considera que esta variante pode dominar o mundo nos próximos meses.

Vale lembrar que em julho deste ano, o Reino Unido encerrou as restrições contra a Covid-19 e o uso de máscaras foi relaxado. Com as pessoas circulando livremente, sem proteção, o vírus continuou circulando intensamente entre vacinados e não vacinados, criando ambiente ideal para novas variantes.

Então as vacinas não funcionam?

Sim, as vacinas funcionam e tem feito o seu papel. Apesar do aumento de casos, a taxa de mortalidade se mantém controlada em todos os países. O problema não está nas vacinas, mas no conceito errado sobre o que é a “volta à normalidade”. Reabrir a economia é natural e necessário, mas a manutenção de cuidados baratos como o uso de máscaras e álcool em gel continua sendo fundamental. Não basta olhar somente a taxa de vacinação, mas também a taxa de transmissão do vírus e a porcentagem de leitos ocupados. Flexibilizar o uso de máscaras deve ser considerado somente quanto os três indicadores estiverem baixos. Qualquer coisa fora disso, vai facilitar para o vírus e criar o ambiente perfeito para a proliferação de novas variantes que, no futuro, podem ser ainda mais fortes e perigosas.

Na dúvida, continue usando a sua máscara, de preferência PFF-2. Custa barato e protege você, sua família e a sociedade.

Com informações de Lucas Zanandrez.

Renan Halphen

Há mais de 10 anos atuando no Porto de Santos, com administração de projetos logísticos e operações portuárias. Formado pela Fatec Santos, pós graduado em Gestão de Projetos pela Unisanta e Administração Estratégica pela FIA/SP.